Símbolo de coragem, empatia e união na comunidade, Takeo Uehara morre aos 88 anos

 

Coração grande, coragem nos momentos desafiadores e pensamentos sempre à frente do seu tempo. É com esse imagem que a comunidade nipo-brasileira se despede de Takeo Uehara, vítima de um infarto fulminante na madrugada desta quarta-feira (22), em São Paulo. “Uehara-san” tinha 88 anos e deixa os filhos Tiana, Tierli, Telki e Tério Uehara.

Atuante na comunidade, Takeo Uehara ajudou a construir a Associação Okinawa de Vila Carrão, hoje um dos shibus (subsedes) mais atuantes da comunidade okinawana do Brasil. Foi presidente da entidade na gestão 1989 a 2002, fortalecendo pontes e laços entre os nikkeis (foi membro colaborador do convênio cultural cidades-irmãs Naha e São Vicente) e pavimentando caminhos de projetos grandiosos, como o Okinawa Festival.

Natural de Okinawa, o “senhor Takeo”, como era carinhosamente conhecido, chegou ao Brasil em 1956 com 21 anos e adotou o País como sua pátria. Era o sétimo filho entre dez irmãos e enfrentou períodos difíceis com a Segunda Guerra Mundial, cujas consequências para a província foram devastadoras. Costumava se emocionar ao relembrar que aos 10 anos foi separado de sua família e levado a um refúgio, retornando para os pais após dois anos. Deparou-se com sua casa destruída e a asuência de três irmãos, que haviam falecido por conta da guerra.

Após concluir o segundo grau em Okinawa, partiu para o Brasil rumo a um futuro incerto, mas desafiador. Ao desembarcar em terras brasileiras logo foi para o campo, como a grande maioria dos imigrantes japoneses. Trabalhou em plantações de café e venceu muitos desafios – como a dificuldade de se adaptar à comida e ao idioma. Três anos depois, com uma ideia na cabeça e coragem, deicidiu que era hora de ir para São Paulo.

Na “cidade grande”, Takeo foi passador de roupas em uma confecção, além de vendedor no Mercado Municipal. Ganhando cada vez mais experiência e diante de uma nova realidade, as ideias começaram a vir e o empreendedorismo floresceu. Estudava dia e noite o português e fazia cursos de capacitação – especialmente na área de estética e beleza, pois enxergava potencial no segmento.

A visão estratégica de Takeo Uehara estava certa. Em meados de 1969 abriu as portas da primeira loja voltada ao ramo de perfumaria, atendendo uma clientela fixa. Até hoje a rede de perfumarias está ativa, trazendo sempre os valores de respeito e qualidade que Takeo Uehara prezava tanto.

A família também era importante na vida do empreendedor. Casou-se e teve quatro filhos, além de muitos netos. Estar junto e reunido em confraternizações e datas festivas era uma grande alegria para Takeo Uehara.

Condecorações – Tamanho esforço e sucesso tanto no campo profissional quanto no voluntariado resultaram em reconhecimentos. No Brasil, no Japão e em outros países, diga-se. Takeo Uehara era Embaixador da Boa Vontade do Governo de Okinawa, ocupou a presidência da Associação Okinawa de Vila Carrão, da Associação Naha do Brasil, foi vice-presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, diretor da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo e da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono. Em 1994, foi agraciado com o título de Cidadão Paulistano e, em 2008, recebeu homenagem pelo Ministério das Relações Exteriores do Japão.

O velório será realizado nesta quarta-feira (22), no Funeral Quarta Parada – Rua David Zeiger, 330, das 14 às 18 horas. Às 18 horas o corpo será encaminhado para o Crematório de Vila Alpina.

 

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