Roseli Iwamoto assume presidência da Liga da Alta Paulista

Assembleia Geral da Liga das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Alta Paulista que elegeu a nova Diretoria do Lengô – Aldo Shiguti

Em Assembleia Geral Ordinária realizada no último dia 28, em sua sede, no kaikan de Bastos, a Liga das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Alta Paulista (Lengô) elegeu sua nova diretoria para o biênio 2024-2025. Pela primeira vez, o Lengô terá uma mulher na presidência. Trata-se da ceramista Roseli Eri Iwamoto, de Pompeia, que coordena o Projeto Voluntariado da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. Ela assume no lugar de Keniti Mizuno, de Marília, que comandou o Lengô em duas gestões (2020-2021 e 2022-2023) e no atual mandato passa a ocupar o cargo de Presidente de Honra ao lado de Roberto Kawasaki, de Tupã.

A Assembleia, que reuniu representantes de Adamantina, Bastos, Dracena, Irapuru, Junqueirópolis, Garça, Marília, Osvaldo Cruz, Parapuã, Pompéia, e Tupã, entre outras cidades, contou com a presença do 1º Vice-Presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – e presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio, e do diretor da entidade, Celso Mizumoto, totalizando cerca de 80 pessoas.

Na ocasião, também foram aprovadas as contas de 2023 e definidos o valor da anuidade de 2024, que continuará sendo o mesmo do ano passado, ou seja, R$ 500,00, e o planejamento de atividades para 2024.

A atual presidente do Lengô, Roseli Iwamoto, e Keniti Mizuno

Vozes – Antes da eleição da diretoria, os representantes de cada entidade da Liga puderam se manifestar. As principais queixas foram em relação às dificuldades de manutenção das atividades das associações menores e a pouca participação dos jovens.

Gateball – Como é o caso da Associação Nipo-Brasileira de Parapuã. Com apenas 44 famílias associadas, o atual presidente, Djalma Migliorini, reeleito para o seu quarto mandato, conta que o seu problema “é o mesmo que todas cidades enfrentam”. Segundo ele, a única atividade atualmente da associação tem sido o gateball. “Estamos nos esforçando para inserir outras atividades mas não estamos conseguindo retorno”, lamentou.

Agro e Haru Matsuri  – Presidente da Acrea (Associação Cultural, Recreativa e Esportiva de Adamantina), Noriko Saito destacou aspectos positivos, como o apoio da Liga e do Bunkyo e a realização, em 2019, da 10ª edição do Bunkyo Rural, cujo tema foi “Tendências para o Agronegócio”. Com correalização do Bunkyo por intermédio da Comissão Bunkyo Rural Prêmio Kiyoshi Yamamoto do Bunkyo,  o evento visa o desenvolvimento e a difusão de técnicas agrícolas junto aos produtores rurais, estudantes e pesquisadores do setor.

De acordo com Noriko, o acontecimento teve “ótima repercussão e Adamantina cresceu muito no setor do agronegócio depois do evento”. Em seguida, ela convidou o jovem Rodrigo Shioda para contar a experiência do 1º Haru Matsuri. Realizado em outubro do ano passado pela Acrea, o Festival comemorou os 115 anos da imigração japonesa no Brasil e os 70 anos de fundação do Lar dos Velhos de Adamantina. 

Rodrigo conta que o Haru Matsuri foi uma alternativa frente às poucas atividades da associação ao longo do ano. E deu certo. “Conseguimos montar um evento bacana e foi incrível até o último dia, ultrapassando nossa expectativa inicial de público”, disse Rodrigo, que também reforçou a dificuldade em atrair novos associados, principalmente os jovens. Uma saída, explica, “é abraçar quem quer participar”, seja ele descendente de japoneses ou não.

Sucessores – Mitsuo Takahashi, de Dracena, lembrou que, em julho do ano passado, a cidade sediou, pela primeira uma edição do Campeonato Internacional de Gateball Memuro-Brasil. Organizado em conjunto pela Associação Dracenense de Esportes e Cultura (Adec) e a Prefeitura de Dracena, a competição contou com participação de 113 equipes de todo o Brasil, inclusive duas delas vindas de Paraguai. Takahashi disse que outro evento realizado com sucesso pela Adec foi o 11º Imin Fest.

Sucessores – Já Naoshigue Iwano, que comandou o kaikan de Junqueirópolis durante 11 anos e atualmente pertence ao quadro de diretores da União dos Clubes de Gueitebol do Brasil (UCGB), “comemorou” o fato de ter conseguido fazer um sucessor jovem, Marcos Mitta.

Emerson Iwami, que presidiu a Associação Cultural, Esportiva e Recreativa de Tupã (Acert)na gestão 2020-2022, também celebrou a mesma “conquista”. No caso da Acert, quem assumiu foi Marcelo Edamitsu, que pretende dar continuidade aos eventos tradicionais da associação, o Undokai e o Nippon Fest, além de tentar fortalecer outras ações.

Sobrevivência – Paulo Nomi, representante de Osvaldo Cruz, explicou que a associação local reúne cerca de 100 famílias e no decorrer do ano promove atividades como o Shinnenkai, Comemoração do Dia das Mães e a Missa dos Imigrantes, além do Dia dos Pais. Segundo ele, uma das fontes de arrecadação, o aluguel do salão, caiu drasticamente após a pandemia “e a situação ficou difícil”. Uma alternativa foi a construção de um campo de futebol em um antigo terreno, que está garantindo a sobrevivência do kaikan.

Claudio Yoshida, da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Bastos (Acenba), destacou a importância de encontros como o promovido pela Liga e disse que, em relação a Bastos, pode se considerar muito feliz “graças à autonomia dos nossos departamentos”. “Nossa missão é dar retaguarda”, afirmou.

Dificuldades – Lauro Kazutoshi Ishizu, de Irapuru – e que também representou o Kaikan de Pacaembu – explicou que se tratam de duas associações pequenas e como tais sofrem com a falta de estrutura para realizar grandes eventos. “Conseguimos manter o kaikan com a ajuda de associados”, comentou, acrescentando que, no caso de Irapuru, os associados são todos idosos. “Se não tivermos ajuda, teremos de 10 a no máximo 15 anos de sobrevivência”, disse Lauro, que pediu para que o Bunkyo e o Lengô olhem com mais atenção para as cidades consideradas pequenas. “Não é só Irapuru que está nessa situação”, afirmou.

Primeira mulher a comandar a Associação Cultural e Esportiva Nikkey de Garça, Wilma Okazaki destacou a união dos associados e do orgulho do kaikan, com os grupos locais, Dantai Odori e o Taiko Hanami Daiko.

Wilma lembra que  antes havia uma presidente para o Fujinkai e um presidente para o Nikkey de Garça – cargo que até então era ocupado apenas por homens. Com fusaõ do Departamento que presidia e o Nikkey, passou a ocupar a presidência do Kaikan de Garça.

Kappa Kai  0150 Representando o presidente do Nikkey Marília, Silvio Harada, a diretora Educacional Erika Sasasaki destacou os grandes eventos do clube: o Japan Fest e o Bon Odori. Ela também apresentou o que o Nikkey Marília está fazendo de novo para atrair os jovens, como o Kappa Kai, uma festa organizada pelos alunos da Escola Modelo de Língua Japonesa de Marília inspirada na Academia do Futuro do Nippon Country Club, de Arujá.

Também falaram a diretora Cultural do Nikkey, Amanda Akimoto,  e o vice-presidente do Departamento de Esportes, Romeu Nishimoto, que apresentou casos de sucesso como o beisebol e o judô.

Agricultura – Quem também fez uso da palavra foi o diretor do Bunkyo, Celso Mizumoto, que destacou a presença japonesa na agricultura e a importância de continuar o trabalho dos pioneiros. “Com menos de 1% da população brasileira, a cooperativa Cotia, junto com o governo japonês, desenvolveu o Cerrado brasileiro. Orgulho de tornar uma nação importadora de alimentos no celeiro do mundo.  Hoje, onde nós vamos somos respeitados. Acho que isso é um exemplo que nós devemos saber que temos e fizemos, porque os nossos antepassados fizeram a nossa cultura, a nossa base, suaram a camisa, e nós estamos aqui hoje”, disse, acrescentando que “cabe a nós também a responsabilidade pela humanidade”. “Entendo que com essa responsabilidade a gente caminha com mais empenho, entendendo que cada ação, de cada um de nós que estamos aqui hoje reunidos é que forma essa grande base que é o Brasil”, pontuou.

Assembleia cerca de 80 participantes de associações filiadas

Abrir as portas – Representando o presidnete do Bunkyo, Roberto Nishio disse que tinha “vários motivos” para prestigiar a Assembleia da Liga. Como um deles citou o agradecimento a atuação de Keniti Mizuno como diretor regional do Bunkyo na Alta Paulista e, diante das dificuldades apresentadas pelas associações, sugeriu que as entidades se agrupem para a realização de alguns eventos. E deu como exemplo, o Rio Grande do Sul, “onde a comunidade nikkei é muito pequena, mas em Ijuí, juntamente com outras cidades vizinhas, fundaram uma associação e hoje essa entidade funciona plenamente”. 

“Acredito que se vocês se unirem, se vocês derem uma oportunidade aos jovens, e não precisa ser só nikeis, podem ser jovens não descendentes que gostam da cultura japonesa, vocês vão conseguir sobreviver por muito mais tempo do que os 10 anos falado aqui., afirmou Nishio, que destacou ainda a importância do ensino do idioma japonês.

Por fim deixou uma palavra de estímulo “para que todos continuem lutando pela prevenção da cultura japonesa e, principalmente, pela divulgação dessa cultura e dos valores que são praticados pelos japoneses”.

Balanço – Em seu balanço, Keniti Mizuno disse que estar à frete da Liga da Alta Paulista, “foi realmente uma experiência muito boa em que pude conhecer entidades de várias cidades, cada qual com suas peculiaridades, suas dificuldades mas também com uma coisa muito boa: pessoas que realmente lutam para preservar e divulgar a cultura japonesa”.

“Acho que tem muitas atividades que fazemos aqui no interior que talvez não exista mais nem no Japão. Então as vezes a gente acaba se tornando mais conservador que o próprio Japão. E aqui constatamos que a região é muito rica, culturalmente falando. Nós temos grandes eventos como a Festa das Cerejeiras em Garça; Japan Fest em Marília; Nipo Fest em Tupã; Festa do Ovo em Bastos; Imin de Dracena; o Hana Matsuri de Junqueirópolis, como também Adamantina, enfim, acredito que aqui é um dos principais polos culturais”, disse Mizuno, destacando que suas principais conquistas foram: trazer os jovens para as associações e promover mudanças como o uso das redes sociais, dando oportunidade para que mais pessoas participemdas atividades.

Líderes – “Outra coisa que conseguimos foi formar novos líderes através de dois eventos itinerantes, que são o Bon Odori e o Guenosai. A gente alternou a realização destes dois eventos para que todas as cidades, mesmo as pequenas tivessem oportunidade de lidar com a realização de grandes festas”, conta, afirmando que, “a Liga é muito grande”. “Como costumamos dizer, nenhum filho é igual ao outro. Ou seja, nós temos cidades que realmente enfrentam dificuldades – três quatro fecharam seus Kaikans há muito tempo, muito antes daminha gestão. Achei que conseguiria reerguê-las, mas não consegui porque realmente é difícil. Mas só o fato de não deixar fechar mais nenhuma já foi uma grande conquista”, afirmou.

União de todos – Já sua sucessora, Roseli Iwamoto, disse que espera contar com a ajuda de todos. Para ela, é “uma honra poder fazer parte deste grupo tão rico em conhecimento, em experiências e em dedicação,” e que está ansiosa em cooperar com a cultura japonesa dentro da comunidade nikkei e da sociedade brasileira em geral”. Para Roseli, as dificuldades só serão superadas com a união de todos. “Cada um com suas expertises e uma determinação ferrenha e admirável, no sentido de preservar a nossa cultura japonesa e, através dela, conseguir um maior desenvolvimento e a sua continuidade”.

Ela parabenizou a gestão de seu antecessor e agradeceu a confiança, apesar da minha inexperiência e total despreparo para poder assumir um cargo de tamanho peso”. “Estou entendendo essa necessidade no momento atual de haver uma maior representatividade e comprometimento por parte de todas as cidades que compõem a nossa liga, então nesse sentido eu estou aceitando este enorme desafio com a condição de poder, com todos os senhores, aprender um pouquinho, cada vez mais, a colaborar com todas as entidades e poder dar continuidade a esse trabalho que está sendo realizado por todas as associações que compõem a Liga da Alta Paulista”, destacou a nova presidente.

(Aldo Shiguti)

RELAÇÃO DA DIRETORIA DO LENGÔ
PARA O BIÊNIO 2024-2025

Presidentes de Honra: Keniti Mizuno (Marília), Roberto Kawasaki (Tupã)

Presidente: Roseli Eri Iwamoto (Pompéia)

1º Vice-Presidente: Cláudio Yoshida (Bastos)

2º Vice-Presidente: Naoshigue Iwano (Junqueirópolis)

3º Vice-Presidente: Mitsuo Takahashi (Dracena)

4º Vice-Presidente: Noriko Saito (Adamantina)

1º Secretário: José Roberto Tukasan (Marília)

2º Secretário: Emiko Yasuda (Marília)

3º Secretário: Djalma Migliorini (Parapuã)

1º Tesoureiro: João Gohara (Marília)

2º Tesoureiro: Elio Ajeka (Marília)

Diretoria Educacional

1ª Diretora Educacional: Vanda Mitika Taniguchi (Tupã)

2ª Diretora Educacional: Katsuya Fujita (Bastos)

3ª Diretora Educacional: Rosa Shimura Kawauchi (Bastos)

Diretoria Cultural

1ª Diretora Cultural: Erika Sasazaki Ikeda (Marília)

2º Diretor Cultural: Newton Yoshihiro Takahara (Tupã)

Conselho Fiscal

Titulares: Takaharu Ebisawa (Bastos), Kenji Nomi (Tupã), Paulo Nomi (Osvaldo Cruz)

Suplentes:  Wilma Okazaki (Garça), Emerson Iwami (Tupã), Katsuhide Maki (Bastos)

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1) Roberto Kawasaki (Tupã); 2) Claudio Yoshida (Bastos); 3) Naoshigue Iwano (Junqueirópolis) 4) Mitsuo Takahashi (Dracena); 5) Noriko Saito (Adamantina); 6) Djalma Migliorini (Parapuã); 7) Paulo Nomi (representando Oswaldo Cruz); 8) Wilma Okazaki (Garça); 9) Lauro Kazutoshi Ishizu (Irapuru); 10) Marcos Mitta (Junqueirópolis); 11) Mauricio Iwamoto (Pompeia); 12) Celso Mizumoto (Bunkyo)

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