Primeiro brasileiro aprovado no exame de advocacia japonês é o novo diretor do Ciate

Renan Eiji Teruya, novo diretor superintendente do Ciate

No dia 9 de outubro, o Centro de Apoio aos Trabalhadores Estrangeiros (Ciate) recebeu seu novo diretor superintendente: Renan Eiji Teruya, brasileiro descendente de japoneses de terceira geração (sansei). Ele tem um grande feito histórico em seu currículo, sendo o primeiro brasileiro aprovado no exame de advocacia japonês.

Teruya é nascido na cidade de São Paulo. Foi ao Japão com 8 anos, acompanhando sua mãe, e frequentou escola pública japonesa.

Vendo a sua mãe trabalhando exaustivamente em uma fábrica de peças de automóveis das 8h às 22h, Teruya percebeu as dificuldades do trabalho dos dekassegui. Isso virou motivação para que ele dedicasse aos estudos de 5 a 6 horas diariamente durante o ensino médio, até que conseguiu ingressar na Universidade de Nagoya. Depois, seguiu para o curso de mestrado na mesma universidade e em setembro de 2016 conquistou sua aprovação no exame de advocacia japonês.

Após a aprovação, Teruya se matriculou no escritório de advocacia Tatsuya Otake. Ele relata que mais de 90% das suas consultas vêm da comunidade brasileira no Japão e os problemas mais comuns são relacionados a acidentes de trânsito e divórcios. Muitos brasileiros não compreendem bem o sistema de seguro de automóveis japonês, e no caso de divórcios, são muitos os casais que se casaram no Brasil, mas que acabam se divorciando após chegarem no Japão.

Ele menciona que disputa da guarda dos filhos são frequentes. Há casos em que um dos pais acaba fugindo ao Brasil com a criança durante as negociações, o que acaba agravando ainda mais as situações.

Outros tipos mais comuns de consultas, incluem questões relacionadas a acidentes de trabalho e direitos trabalhistas, bem como heranças e questões de visto.

Teruya também teve experiência na defesa de brasileiro em casos criminais. Ele ressalta que, em casos que um estrangeiro é condenado no Japão, muitos enfrentam problemas de renovação de visto, após cumprir suas penas de prisão. Para muitos deles, retornar ao seu país de origem torna-se inevitável, mesmo que não conheçam o idioma ou não tenham experiência de vida no país.

Ele compartilha o caso de um brasileiro que acabou se envolvendo em um roubo. “Ele falava japonês fluentemente, acabou sendo influenciado pelas más companhias e aceitando uma oferta de trabalho clandestino (“yami baito”)”, explicou o advogado, lamentando a prisão do jovem.

Profissionais como Teruya, que consegue oferecer consultas jurídicas em português, é imprescindível para a comunidade brasileira no Japão. Atualmente, ele atua no Ciate, onde oferece consultas gratuitas sobre aposentadoria e pensões para brasileiros que trabalharam no Japão. “Fico a disposição para quaisquer dúvidas”, concluiu.

(da Associação Brasil Nippo)

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