Pavilhão Japonês inicia série de eventos comemorativos com exposição ‘Haiga’

Massi, Kurita, Agata, Bruno, consulesa e cônsul Toru Shimizu, Massami e esposa, e Renato – FOTOS: ALDO SHIGUTI

Para abrir a série de eventos comemorativos aos seus 70 anos de fundação, o Pavilhão Japonês, localizado no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), inaugurou, no dia 25 de janeiro – aniversário de 470 anos da capital paulista – a exposição “Haiga – Diálogos Visuais e Poéticos”. Com curadoria de Agata Takiya, a mostra, que ficará em cartaz até 03 de março, reúne 10 fotos tiradas no Japão por Bruno Silvestre com haicais (gênero de poesia com versos de 5-7-5 sílabas) de Massami Uyeda.

Trata-se da terceira exposição do agora haicaísta Massami Uyeda – as duas primeiras, no Rio de Janeiro, em novembro de 2022 e em março do ano passado, reuniram fotos e poesias suas – e a primeira em São Paulo em parceria com Bruno Silvestre.

A abertura reuniu amigos – muitos dos quais que o acompanharam ao longo de sua bem-sucedida carreira e outros da comunidade nipo-brasileira como o vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Dorival Renato Pavan; o jurista Kiyoshi Harada e sua esposa, a também advogada Felícia Harada; o procurador do município de Jundiaí, Alberto Higa; a desembargadora Consuelo Yoshida; os advogados Miguel Pereira Neto e Denis Donaire Jr; o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio e o vice-presidente do Bunkyo e presidente do Conselho Deliberativo da Nippon Country Club, Valter Sassaki; entre outros, além do cônsul geral do Japão em São Paulo, Toru Shimizu – acompanhado de sua esposa, a consulesa Junko Shimizu – o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa; o Chefe de Gabinete da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Rodrigo Massi e o vereador Rodrigo Goulart.

Diálogos – De acordo com o presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Claudio Kurita, a ideia de realizar uma exposição com o ministro Massami Uyeda nasceu durante uma conversa entre amigos na Fazenda Aliança, que pertence ao presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa. “A realização deste sonho só foi possível graças a união de todos”, ressaltou Kurita.

A curadora Agata Takiya explicou que a exposição tem o diálogo como eixo central. “Diálogo entre um artista nikkei e um não descendente de japoneses, diálogo entre gerações e diálogo entre a fotografia e a poesia”, comentou Agata, acrescentando que a exposição também traz uma releitura de elementos japoneses.

Já o cônsul geral disse que “haiku” é a mais breve forma poética do mundo e que tem sua própria filosofia de observar o mundo enquanto Rodrigo Massi lembrou que o brasão da cidade de São Paulo é um projeto de um outro poeta, Guilherme de Almeida – em parceria com Washt Rodrigues – fundador e primeiro presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, além de um apaixonado por haicai.

Poema em francês escrito por Massami presente na mostra

Sintonia – Primeiro nikkei a ocupar o cargo de ministro em uma Corte Superior no Brasil, Massami Uyeda disse que diálogos visuais e poéticos é uma fusão de duas culturas. “As fotografias são do Bruno Silvestre, advogado que, apesar de deficiente visual, é mestre em fotografia e gosta da cultura japonesa. Ele foi ao Japão em três ocasiões (2015, 2017 e 2023) e tirou uma série de fotografias. Aí nós tivemos a ideia de, sobre a fotografia tirada por um brasileiro, um poeta  nikkei escrever o sentimento que aquela fotografia produz. Daí surgiu a ideia dos diálogos poéticos visuais”, disse Ueyda, acrescentando que foram produzidos 40 fotos e 40 poesias – para a exposição foram escolhidas 10 obras.

Segundo ele, durante o processo de criação dos haicais, entre setembro e outubro do ano passado, não houve comunicação entre os dois. “Ao nos encontramos para ver o resultado é que fomos ver o que é a sintonia de ideias”, explicou, acrescentando que “a poesia está presente em toda a nossa vida, em todos os momentos da nossa vida – ainda que inconscientemente”. “A poesia para mim está na sintonia sincopada das sístoles e diástoles do coração, está presente no pulsar das estrelas, está presente no sorriso da criança, está presente na emoção e na visão de um sorriso de uma lembrança guardada”, define Massami Uyeda, afirmando que expor seu lado poético veio de forma natural.

Ikigai – “Na verdade, penso que esta ideia que a gente tem de expor nossos sentimentos pode até parecer uma ideia de querer se aparecer e muitas as pessoas ficam inibidas por causa disso. Mas eu acho que no momento que você abre o seu coração, mostra a sua natureza, a sua essência, isso acaba induzindo você mesmo a fazer com que a vida tenha maior sabor e é isso que dá aquele sentido do ikigai japonês, ikigai no sentido de disposição”, afirma, acrescentando que um de seus hábitos é escrever ainda na cama. 

“Esse é o sentido da poesia. Nós vivemos a poesia, só que nós não sabemos, nem temos ideia. A poesia está na base do belo, que está ligada à beleza, à verdade e à bondade”, disse Massami.

Mostra, que permanecerá aberta para visitação até 3 de março, reúne 10 fotografias poemas

(Aldo Shiguti)

Haiga – Diálogos Visuais e Poéticos

Artistas: Massami Uyeda e Bruno Silvestre

Até: 03/03/24

Onde: Pavilhão Japonês – Parque do Ibirapuera (portão 10 – próximo ao Planetário) – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº

Horários: Quinta – 10 às 17h / Sexta, Sábado, Domingo e Feriados – 10 às 17h

Entrada: inteira R$ 15 / meia R$ 7 (entrada franca às quintas)

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