Na Beauty Fair, representantes destacam desafios do setor de beleza

Cerimônia de abertura da Beauty Fair, no Expo Center Norte, em São Paulo, contou com a presença de autoridades

Capacitação de mão de obra qualificada, exportaç~çao de marcas brasileiras, criação de uma base de dados para dentro da gestão dos negócios, implantação de governança nas empresas e a discussão de uma reforma tributária “justa”, foram alguns dos desafios apontados pelos representantes do setor de beleza durante a cerimônia de abertura da Beauty Fair – Feira Internacional de Beleza Profissional – realizada no último dia 9 – e que prosseguiu até o dia 12 –, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Considerada a maior feira de beleza das Américas e a segunda maior do mundo – fica atrás somente da Cosmoprof Worldwide Bologna (Itália) – a Beauty Fair movimenta números impressionantes. Em quatro dias, foram mais de 500 expositores e mais de 2 mil marcas. Cerca de  200 mil visitantes entre profissionais, estudantes, influenciadores, imprensa e entusiastas da beleza passaram pela feira.

Não à toa, o tema da Beauty Fair 2023 foi “Juntos: a diferença é o que nos une”. Como acontece todos os anos, a cerimônia de abertura contou com um “toque oriental”, legado do empresário Hirofumi Ikesaki (1927-2022), fundador do Grupo Ikesaki e idealizador da feira. E a exemplo do ano passado, sua trajetória foi mais uma vez lembrada pelos convidados.

Legado – A começar por um de seus filhos, Ricardo, que representou o Grupo Ikesaki. Ele lembrou que essa história se iniciou em 1964, “quando o jovem Hirofumi Ikesaki, fundador do nosso grupo, era ainda vendedor e representante comercial de uma pequena indústria de produtos para tinturarias”.

“Ele notou que, em meio a máquinas de lavar e passar roupas dos seus clientes, começaram a surgir, nos cômodos dos estabelecimentos, pequenos salões de beleza. As filhas dos proprietários de tinturarias estavam se formando cabeleireiras e foi a oportunidade para Ikezaki se oferecer para procurar os produtos e soluções que elas necessitavam para gerir e avançar nos seus negócios. Esse momento marca o nascimento do grupo Ikesaki no mercado de beleza”, contou Ricardo, explicando que “após alguns anos, Ikesaki instalou seu primeiro negócio no bairro da Liberdade em São Paulo, o tradicional reduto dos imigrantes e comerciantes japoneses, “o bairro japonês de São Paulo, pelo qual ele sempre lutou e pelo qual ele era defensor fervoroso e apaixonado”.

Ricardo Ikesaki, Ordine, Roberto de Lucena, Aurélio Nomura, cônsul Hiroyuki Ide e Cesar Tsukuda

Pilares – Como destacou em seu discurso, “essa pequena distribuidora de produtos de beleza depois viria a se tornar o primeiro modelo de supermercado, o modelo de autosserviço de beleza do Brasil”. “Um dos pilares da Ikesaki sempre foi incluir, desenvolver e inspirar profissionais de beleza em treinamentos educacionais gratuitos, isso muito antes de se ouvir falar da expressão terceiro setor, capitalismo consciente ou mais recentemente ESG. A trajetória do grupo sempre teve como foco soluções e necessidades existentes, necessárias ao nosso mercado, tanto a clientes, quanto a fornecedores ou a prestadores de serviço”, explicou Ricardo Ikesaki.

Força do mercado – Já o diretor da Beauty Fair, Cesar Tsukuda, falou sobre a força do mercado de beleza e os desafios do setor. “Somos o quarto maior país do mundo em consumo no setor de beleza e em algumas categorias, como cabelos e desodorantes, por exemplo, nós somos o segundo país do mundo em relação ao consumo”, disse Tsukuda, afirmando que “cada vez mais o mercado de beleza se torna o mercado de bem-estar, o mercado de autoestima, que é capaz de mudar a história de uma pessoa, a história de uma família e, por que não dizer, a história de um país”.

Apesar de estar presente em mais de 170 países, Cesar Tsukuda disse que “ainda há um grande desafio de desenvolver marcas brasileiras”. “O mercado de exportação brasileiro ainda é muito pequeno, ele é quase incipiente. Os números são bons e crescentes, mas há um grande desafio de a gente exportar marcas brasileiras”, frisou, acrescentando que o mercado de beleza é responsável por 4% do PIB nacional.

Segundo ele, o segmento dá retorno. “A cada 1 milhão de reais investido, quase 2 milhões são transformados em produção, em quase 40 empregos, em renda e, principalmente, em dignidade. A verdadeira inserção, a verdadeira inclusão social, está na geração de empregos e na educação. Mais do que 4% do PIB, o setor é responsável por mais de 5 milhões de empregos entre formais e informais no Brasil”, destacou Tsukuda, afirmando que “o mercado de beleza é tão forte quanto a capacidade dos profissionais de beleza de trazerem novas soluções para o consumidor, tanto de produtos quanto de serviços”.

Secretário de Turismo de São Paulo e os vereadores George Hato e Aurélio Nomura na abertura

Desafios – Ele explicou ainda que a Beauty Fair assume o compromisso de propor melhorias, como reinvindicar a reforma tributária para reduzir a carga dos impostos sobre produtos de beleza. “Nós temos que estar presente lutando para que a gente tenha imposto sim, porque temos que devolver ao país o que ele nos proporciona, mas um imposto justo e que possa permitir que as nossas empresas sigam numa rota de crescimento”, explicou, acrescentando que “outro grande desafio do setor são os dados, ou seja, trazer dados para dentro da gestão dos nossos negócios”. Segundo Tsukuda, a implementação de práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) também é um desafio importante, assim como a adoção de inovação e tecnologia.

Por fim, Cesar Tsukuda disse que cada vez mais, os empresários e as empresas que vivem no mercado de beleza precisam pensar na formação de mão de obra especializada para o setor. “Precisamos ser um setor que, além de gerar empregos, também deveria ter a capacidade de desenvolver mão de obra qualificada”, afirmou.

Gratidão – Representando o prefeito Ricardo Nunes, o vereador Aurélio Nomura agradeceu a presença da feira na cidade de São Paulo. Segundo ele, na Beauty Fair, a beleza movimenta a economia e é sinônimo de gratidão, de amizade, de companheirismo e de solidariedade. 

Capacitação – Finalizando, o secretário estadual de Turismo do Governo de São Paulo, Roberto de Lucena afirmou que o setor de beleza, assim como os demais, também foi durante afetado pela pandemia “mas rapidamente se reposicionou, superou as suas adversidades, os seus desafios e novamente se apresentou como setor que desenvolve e gera emprego, gera venda e representa uma enorme participação no PIB de São Paulo e no PIB do Brasil”.

Segundo o secretário, por trás dos números impressionantes que a Beauty Fair movimenta, existe uma história de luta, de persistência e de dedicação. “Uma história de competência dos atores desse setor, dos empreendedores, dos agentes, dos trabalhadores, dos profissionais, que têm ainda diversos desafios”, disse Lucena, explicando que o setor pode contar com o Governo de São Paulo na discussão da reforma tributária que acontece em Brasília “para sensibilizarmos, a partir da bancada paulista, o Congresso Nacional da importância e do valor desse setor”.

“Não só isso, mas contar também um outro desafio importantíssimo para o setor, que é a capacitação dos seus profissionais. São Paulo, pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Turismo estão de mãos dadas e à disposição dos senhores e do setor”, finalizou o secretário.

Também fizeram parte do dispositivo de honra o cônsul para Assuntos Políticos e Gerais do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Hiroyuki Ide, e o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Mateus Ordine.

Homenagens – A cerimônia também foi marcada por uma homenagem póstuma a João Batista de Lima, figura fundamental na criação da Beauty Fair. Ele foi lembrado como um mentor generoso e orientador incansável, que ajudou a estruturar a feira e a tornar realidade esse sonho coletivo. Sua esposa e filhas receberam as homenagens e suas ações solidárias foram destacadas como parte de seu legado.

Foram prestadas ainda duas homenagens póstumas: a Itamar Serpa Fernandes, fundador da Embelleze; e a Ondina Paes Leme, fundadora da Academia de Beleza Ondina.

Como de praxe, em uma cerimônia tradicional japonesa, as autoridades convidadas abriram oficialmente a feira ao quebrarem o barril de saquê, embaixo do Torii, portal vermelho que representa a entrada em um território sagrado, enquanto a cor vermelha simboliza saúde e sorte e sucesso à 18ª edição da Beauty Fair.

(Aldo Shiguti)

spot_img

Relacionados

Destaques da Redação

spot_img