Jurista Kiyoshi Harada lança edição atualizada de ‘O Nikkei no Brasil’

Roberto Nishio, Kiyoshi Harada, cônsul Ryosuke Kuwana, Renato Ishikawa, Aurélio Nomura, Kazuo Watanabe e Rodolfo Wada

Aconteceu no último dia 22, no salão nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o lançamento da edição atualizada de “O Nikkei no Brasil”, coordenado pelo jurista Kiysohi Harada com a participação de diversos colaboradores e pesquisadores. Leitura obrigatória e referência para os interessados em saber um pouco mais sobre a presença japonesa em solo brasileiro, a obra descreve, em 17 capítulos, o fenômeno da imigração japonesa desde os momentos que antecederam a vinda dos primeiros 781 pioneiros a bordo do navio Kasato Maru, passando por diversas fases de adaptação e de integração até chegar aos diais atuais com os filhos dos imigrantes ocupando espaços importantes no cenário nacional.

Com capa do artista plástico Carlos Kubo, a publicação conta com patrocínio da Fundação Kunito Miyasaka e coedição do Bunkyo e Instituto Brasil-Japão de Integração Cultural e Social.

Na ocasião, os convidados receberam também o volume II da “Coletânea de Monografias sobre Cultura Japonesa”, também organizada por Kiyoshi Harada e que reúne os trabalhos premiados na terceira e quarta edições do concurso relacionado aos temas da cultura japonesa.

Missão épica – Compuseram o dispositivo de honra da solenidade o cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana; o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa; o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio; o presidente do Instituto de Direito Comparado Brasil-Japão, ex-desembargador Kazuo Watanabe; o vereador Aurélio Nomura e o coordenador geral do concurso de monografias “Prêmio jurista Kiyoshi Harada”, Rodolfo Wada.

Presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa destacou que Kiyoshi Harada, “autor e coordenador de inúmeros livros sobre temas jurídicos, também tem dedicado sua expertise em sua preocupação para manter O Nikkei no Brasil sempre atualizado, incorporando novas informações”. “Apesar de sua vida profissional extremamente ocupada, Dr. Harada faz questão de preservar a sua relação e colaboração junto à comunidade nipo-brasileira com o lançamento desta quinta edição de O Nikkei no Brasil cuja primeira edição foi lançada em 2008, reunindo 12 colaboradores e 12 pesquisadores que abordaram alguns dos principais aspectos da trajetória dos nipo-brasileiros”, disse Renato Ishikawa, acrescentando que “certamente, coordenar um trabalho desse deve ter sido uma missão épica”.

“Os anos se passaram, ou seja, 15 anos, e admiravelmente o Dr Harada não desistiu desta obra, ainda continua fiel cultivando e trazendo novas informações, mantendo a chama viva”, afirmou.

Nishio, Wada, Nomura e Watanabe com a coletânea

Desafio – Já o cônsul Ryosuke Kuwana destacou a importância da obra explicando que “é muito oportuno que o seu lançamento ocorra em um ano verdadeiramente especial, que marca os 115 Anos da Imigração Japonesa para o Brasil”. “Acredito que estes livros [O Nikkei no Brasil e Coletânea de Monografias sobre Cultura Japonesa] desempenham um papel essencial para o avanço e do pensamento das pesquisas sobre a imigração japonesa sobreo desenvolvimento da comunidade nikkei e seus reflexos na formação da sociedade brasileira”, comentou o cônsul.

Segundo ele, “as obras serão também fundamentais para a transmissão da memória dos nossos antepassados relatando a impressionante história e dedicação dos nikkeis para o progresso do Brasil, através dos quais conquistaram a confiança e respeito da sociedade brasileira”.

“Com certeza essas obras serão também valiosas fontes de inspiração e conhecimento para todos nós, especialmente para que as novas gerações conheçam e valorizem a trajetória dos nossos antepassados”, disse Ryosuke Kuwana, que finalizou seu discurso com um desafio ao autor: “Espero que o Dr. Kiyoshi Harada prossiga trabalhando para publicar a sexta edição enriquecida com novos capítulos no 120º aniversário da imigração japonesa em 2028”.

Valorizar o passado – Para o vereador Aurélio Nomura, que acompanha a publicação desde a sua primeira edição, O Nikkei no Brasil está cada vez mais atual. Para ele, “precisamos cada vez mais valorizar o passado, lembrar das histórias e lembrar, principalmente, da grande saga da imigração japonesa aqui no nosso país”. “Acho que todos nós temos um orgulho muito grande de sermos descendentes de japoneses e, olhando para os nossos pais e para os nossos avós, poder enxergar os desafios que enfrentaram quando vieram a esta terra e com muito trabalho e muita dedicação conseguiram alcançar seu espaço em todos os setores laboriosos aqui no nosso país”, disse o parlamentar.

Já o presidente do Instituto de Direito Comparado Brasil-Japão lembrou que conhece o jurista Kiyoshi Harada “há muito tempo” e destacou a sua  capacidade de, além de produzir pessoalmente várias obras de importância, também tem essa capacidade de reunir um conjunto de pessoas para produzir uma obra. “E esta quinta edição de O Nikkei no Brasil retrata bem a pessoa dele”, garantiu Kazuo Watanabe.

O jurista Kiyoshi Harada obra pioneira e ímpar

Pioneira e ímpar – Acompanhado da esposa, a também advogada Felícia Harada, dos filhos Maristela e Marcelo e netos, Kiyoshi Harada iniciou seu discurso lembrando que a primeira edição de O Nikkei no Brasil foi lançada no dia 15 de janeiro de 2008, no Hall Monumental da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. “Presidiu a sessão o então presidente daquela Casa, deputado Vaz de Lima, que oficializou o evento para comemorar, no recinto da Alesp, os 100 anos da imigração japonesa no Brasil”, recordou o jurista, afirmando que “esta obra, que é pioneira e impar no Brasil, não trata simplesmente da imigração japonesa”.

“É uma obra muito mais profunda e analisa as causas que ensejaram a imigração no Brasil, tanto no Japão como as causas aqui no Brasil”, disse. Segundo o autor, O Nikkei no Brasil não trata simplesmente da imigração japonesa. “A obra analisa as causas e, com espírito crítico, analisa a vinda dos primeiros imigrantes. Os 781 pioneiros que vieram aqui no Brasil, enfrentaram dificuldades inenarráveis, suportando o insuportável, superando todos os obstáculos dentro daquele espírito japonês de gambarê, até, aos poucos, ir assimilando a cultura brasileira como primeiro passo para a sua integração inicial. Foi evoluindo, evoluindo de tal maneira que hoje, os seus filhos e netos ocupam posições de extrema relevância no cenário nacional, na esfera das três entidades políticas – União, Estado e Município – e na esfera dos três poderes – Judiciário Executivo e Legislativo – dando a sua contribuição, nos diversos setores em que se subdivide a atividade humana, fortalecendo desta forma a inteligência nacional”, disse Kiyoshi, afirmando que ficou feliz com o resultado.

“Atualizamos alguns tópicos, notadamente o segundo capítulo, de minha autoria, e o capitulo 1, de autoridade do Reimei Yoshioka – ganhou um subtítulo com a Imigração na Amazônia, a cargo da jornalista e historiadora Larissa Noguchi de Oliveira. E capitulo 12 também sofreu uma atualização profunda a cargo do professor Kazuo Watanabe, presidente do Instituto Comparado Brasil-Japão”, observou Harada.

Concurso de monografia – Coordenador da quinta edição do concurso de monografias “Prêmio jusrista Kiyoshi Harada”, Rodolfo Wada, lembrou que era seu último ato como presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei – ele passou o cargo de presidente para Rogério Kita no dia seguinte, em cerimônia realizada no próprio Bunkyo (leia mais nesta edição).

Disse que a experiência de Harada foi fundamental para a sua gestão à frente da entidade e chamou a atenção para a última vencedora do concurso, Ana Luiza Henriques Coan, “que não é de São Paulo – mas do Espirito Santo – e não é nikkei”. “Hoje ela é uma diretora ativa de uma entidade jovem nikkei, a Asebex (Associação Brasileira de Ex-Bolsistas no Japão) e, além disso, tornou-se uma grande propagadora deste concurso”.

Harada com a esposa, a também advogada Felícia, os filhos Marcelo e Maristela, nora e netos

Recorde – Não à toa, Rodolfo Wada explicou que a quinta edição registrou número recorde de inscritos: 42, que terão até o final de agosto para entregarem seus trabalhos. Promovido pelo Bunkyo, Associação Brasileira de Ex-Bolsistas Gaimusho e JCI Brasil-Japão, o concurso tem por objetivo despertar o interesse dos jovens nikkeis para desenvolver atividades na área da cultura em geral, e especificamente na área da cultura japonesa. Este ano, o tema é “Reflexões sobre os estereótipos relacionados aos imigrantes japoneses e seus descendentes”.

(Aldo Shiguti)

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