Jica lança documentário sobre filosofia japonesa de polícia comunitária

Lançamento do documentário reuniu oficiais, autoridades e lideranças da comunidade nipo-brasileira

A Jica, a Agência de Cooperação Internacional do Japão, lançou, no dia  16 de março, em cerimônia realizada no Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), o documentário “Koban – uma filosofia de prevenção”. A produção inédita apresenta os bastidores e resultados do conceito japonês de polícia comunitária, existente há mais de 100 anos, e que começou a ser implantada há duas décadas no Estado de São Paulo.

O vídeo está disponível no Youtube (https://youtu.be/5Le0BWP8r10). De acordo com o diretor do documentário, Jun Sakuma, a produção mostra a concepção do projeto da Secretaria de Segurança Pública em um momento em que a Polícia Militar do Estado de São Paulo passava por uma crise de imagem. O documentário conta também a trajetória da instituição através dos anos – incluindo suas particularidades e desafios – em parceria com a Jica, e traz dados atuais sobre o desempenho do projeto.

A produção ainda revela o esforço para uma mudança estrutural, real e significativa na instituição policial e não apenas uma remodelagem da sua imagem pública. A filosofia Koban tem foco na colaboração entre a comunidade e a polícia e visa uma segurança preventiva.

Método foi implantado no Brasil há cerca de 20 anos

O modelo está sendo exportado para diversos países da América Central, que estão sendo treinados pela equipe do Brasil pela proximidade geográfica e cultural, contando com apoio da Jica”, detalha o coordenador de projetos da Jica Brasil, Nobuyuki Kimura.

 

Lançamento – A cerimônia de lançamento contou com a presença do secretário-executivo de Segurança Pública do Estado de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo; do representante chefe da Jica no Brasil, Masayuki Eguchi; da 1ª Secretária da Embaixada do Japão, Aya Shirota e do presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikawa, ente outros.

 

Prêmio Jica – Durante o evento foi realizada a entrega do Prêmio Jica, uma homenagem ao coronel Álvaro Batista Camilo, que ajudou na implantação da metodologia Koban no Brasil. O coronel teve papel importante no projeto, por meio de conhecimentos adquiridos com policiais japoneses durante intercâmbio ao Japão e ao repassar a experiência aos policiais brasileiros.

Masayuki Eguchi entrega o Prêmio Jica para o coronel Camilo

Em seu discurso, Masayuki Eguchi disse que a Jica é agência governamental japonesa responsável pela assistência do desenvolvimento econômico e social em mais de 150 países no mundo. No Brasil, tem atuado em diversas operações como a agricultura, energia, água e saneamento, prevenção de desastres naturais e meio ambiente, entre outras. Eguchi explicou que uma das cooperações representativas no Brasil é justamente o projeto de policiamento comunitário.

“No ano passado, o departamento de relações públicas da Jica matriz propôs para todos os escritórios da Jica no mundo,  a criação de um vídeo e um projeto que tenha sido destaque e a proposta que apresentamos do Brasil foi o projeto Koban. Entre muitas propostas apresentadas ao redor do mundo, o nosso projeto foi um dos selecionados”, lembrou o representante chefe da Jica, acrescentando que “entre as várias áreas que a Jica coopera, a segurança pública é classificada na categoria governança dentro da Jica”.

 

Redução da criminalidade – “Isso implica que o estabelecimento da segurança pública é um elemento essencial na governança do país”, comentou Eguchi, lembrando que o projeto Koban em São Paulo teve início com a introdução do sistema de Koban japonês adaptando à realidade brasileira. “Os resultados se espalharam não só por São Paulo mas também para todo o Brasil e até outros países da América Latina”, disse Eguchi, explicando que que a visão atual da Jica é conectar o mundo com confiança”. “A Jica construiu uma relação de confiança com a polícia brasileira e as autoridades policiais brasileiras têm aumentado sua confiança junto aos cidadãos brasileiros através do projeto Koban. Acredito que nossa cooperação no Koban tem contribuído para esse fortalecimento da confiança”, declarou Eguchi.

Um dois oito capitães pioneiros na implantação do projeto Koban em São Paulo, o coronel Alexandre Marcos Oliveira , diretor de logística da PM do Estado de São Paulo observou que a transmissão do conhecimento do sistema Koban para a Policia Militar do Estado de São Paulo “não trouxe exclusivamente a questão da polícia comunitária, mas o policiamento comunitário, a forma diferenciada de nós fazermos o policiamento e de criarmos programas de policiamento diferenciados”.

Segundo ele, o sistema Koban em São Paulo “alcançou um sucesso da queda dos indicadores criminais do ano de 2005 até o presente momento no Estado de São Paulo”. “Esse projeto foi coroado com a queda absurda dos indicadores criminais aqui no Estado São Paulo, sendo case de estudos principalmente na área de homicídios e de roubos”, afirmou o coronel.

 

Gratidão – Para o coronel Camilo, o sentimento é de “gratidão”. “Gratidão não só do povo de São Paulo mas do povo brasileiro ao Japão. Tenho certeza absoluta que aprendemos muito”, disse Camilo, lembrando que o projeto começou com uma Comissão de Polícia Comunitária, se transformou em um Departamento e depois em Diretoria.

Para ele, “muitos fatores reduziram a criminalidade em São Paulo, que chegou a índices absurdos na década de 90”. “Chegamos a ter quase 37 homicídios por 100 mil habitantes e hoje temos 6 por 100 mil habitantes no Estado inteiro. Uma redução que começou lá atrás justamente quando começamos a implantar a polícia comunitária aqui em São Paulo”, destacou Camilo, que chegou a ir pessoalmente para o Japão para conhecer de perto o funcionamento do sistema de policiamento comunitário e acabou conhecendo também o Chuzaisho – um modelo de policiamento voltado para as pequenas comunidades.

 

Inteligência – “Fui e sou um incentivador do sistema Koban, do policiamento comunitário, da integração com a comunidade porque nós precisamos trabalhar com inteligência e a matéria prima da inteligência é a informação. E quem tem a melhor informação é a população. Então nós precisamos que essa informação venha para a Polícia e isso só ocorre se existir uma relação de confiança e de credibilidade da população com a polícia”, destacou o coronel Camilo, reforçando que “o fator fundamental para a redução de homicídios e dos índices de criminalidade de uma forma geral em São Paulo foi a implantação do sistema Koban”.

“Trazer a melhor informação melhora a prevenção, evita o crime e traz qualidade devida à população. Devemos isso ao povo japonês, devemos isso à Jica e devemos a todos os envolvidos”, concluiu.

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