Irezumi – sua história e seus desafios

Foto criada por IA – Bing Copilot

A tatuagem na terra do sol nascente é um assunto polêmico, mas você conhece a história por traz dessa arte no Japão?  O nome dessa expressão artística em japonês é Irezumi (入れ墨) e acredita-se que a prática tenha começado por volta de 10.000 a.C., evoluindo desde então de um ritual espiritual e decorativo até se tornar um símbolo de status e coragem. No entanto, foi durante o período Kofun (300-600 a.C.) que as tatuagens começaram a ser vistas sob uma luz negativa, sendo utilizadas para marcar criminosos, uma prática que perdurou até ser abolida em 1870.

Com o advento do período Edo, a tatuagem no Japão ganhou novas conotações. As imagens de homens tatuados começaram a ser representadas em xilogravuras ukiyo-e e mencionadas na literatura, contribuindo para o desenvolvimento da arte da tatuagem como a conhecemos hoje. Foi nessa época que o estilo de tatuagem Tebori (手彫り) surgiu, palavra que deriva de “Te – mão”(手)e “Hori – esculpir”(彫り), traduzindo-se como esculpir ou entalhar a mão. O processo envolve o uso de agulhas de aço, que podem ser maiores em diâmetro do que as ocidentais, dispostas em fileiras e vinculadas a uma longa alça de bambu ou marfim. Destaca-se pela sua capacidade de criar sutis gradações de tom, algo difícil de alcançar com máquinas de tatuagem modernas. O artista utiliza esta ferramenta com a mão direita, enquanto a esquerda é usada para esticar a pele a ser tatuada. 

Apesar da proibição da tatuagem durante o período Meiji, os tatuadores continuaram a praticar sua arte clandestinamente, mantendo viva a tradição. Com a ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi legalizada novamente, e o método Tebori (手彫り) passou a fascinar estrangeiros, consolidando a fama internacional da tatuagem japonesa.

Hoje, a tatuagem no Japão é vista como uma forma de arte e expressão pessoal, mas ainda enfrenta preconceitos devido à sua associação histórica com a Yakuza, a máfia japonesa. Muitos locais públicos, como piscinas e banhos públicos, ainda proíbem a entrada de pessoas tatuadas. O estigma em relação às tatuagens também se mostra viva no ambiente de trabalho. No entanto, a percepção está mudando gradualmente, especialmente entre as gerações mais jovens, que veem a tatuagem como uma forma de autoexpressão e arte. 

Outro fato interessante sobre o assunto são os requisitos legais exigidos para a prática profissional da tatuagem no Japão. Legalmente, desde 2001, a tatuagem é classificada como um procedimento médico, o que implica que apenas profissionais licenciados em medicina podem realizá-la legalmente. Isso coloca os tatuadores em uma posição delicada, pois o governo japonês não emite licenças específicas para tatuagem, resultando em uma situação na qual, a menos que sejam médicos qualificados, os tatuadores estão, de fato, violando a lei.

Apesar dessas dificuldades, existe um movimento em prol da mudança dessa percepção. Museus dedicados à arte da tatuagem, como o Museu de Tatuagem Bunshin em Yokohama, buscam combater os preconceitos associados a ela. Figuras lendárias como Horiyoshi III, um mestre tatuador, têm contribuído para a disseminação da compreensão de que a tatuagem é uma parte valiosa da tradição cultural e uma expressão de identidade individual.

Em resposta a essas questões, algumas organizações têm buscado estabelecer certificações para tatuadores, inspiradas em práticas internacionais. Essa iniciativa visa não apenas legitimar a profissão, mas também promover a segurança e a higiene no processo de tatuagem. 

Você gosta de tatuagem? Já pensou em fazer uma com temática japonesa? Então vamos conhecer o nome e o significado das tatuagens mais comuns!

spot_img

Relacionados

Destaques da Redação

spot_img