Idosos japoneses dão pontapé inicial na liga de futebol para maiores de 80 anos

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

No dia 12 de abril, foi realizado a abertura da temporada deste ano da liga de futebol para maiores de 80 anos, no Parque Olímpico de Komazawa, localizado no distrito Setagaya em Tóquio. É a primeira liga de futebol para maiores de 80 anos do Japão que, além disso, é um evento oficial de uma prefeitura. Reuniram-se 40 jogadores de toda a região metropolitana de Tóquio, divididos em três times, que percorreram o campo do tamanho oficial, mas com partidas com o tempo reduzido de 15 minutos.

Jogadores dos dois times correram pelo campo, disputando para passar a bola pelo goleiro adversário. Poderia ser uma partida de futebol qualquer, mas, neste caso, todos os jogadores têm 80 anos ou mais.

Esportes de muito contato físico, como o futebol, já foram contra-indicados para os idosos, devido ao risco de lesões. Mas no Japão, onde pessoas com 65 anos ou mais representam quase um terço da população do país, idosos mais ativos e saudáveis estão mudando a percepção do que as pessoas mais velhas podem fazer.

“Acredito que é um bom exemplo de que pessoas idosas ainda poderão ser ativas em uma sociedade já envelhecida como no Japão”, diz Yutaka Ito, secretário-geral da Soccer For Life (SFL), organização criadora das ligas de futebol sênior de Tóquio. Segundo ele, a liga de futebol para maiores de 80 anos começou no ano passado, sendo um sinal de que a população de jogadores sênior está crescendo a cada ano.

Ito faz parte da equipe que criou a liga de futebol para maiores de 60 anos em 2002. Quando a liga começou, havia apenas quatro times para jogadores com 70 anos ou mais. Este ano, há 18 times, incluindo os que fazem parte da liga para maiores de 80 anos, tendo uma projeção de que o número cresça para 26 times até 2026.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon

A idade média dos jogadores dos três times que compõe a liga acima de 80 anos varia entre 82 a 84 anos. O jogador mais velho em campo é o Shingo Shiozawa de 93 anos. Shiozawa, que antes trabalhava como designer de carros de corrida, é goleiro do time White Bear. “Devem fazer uns 30 anos que não sou goleiro em uma partida, mais de 30 anos”, comentou ele, trocando a fala para o idioma inglês para enfatizar.

Shiozawa treina várias vezes por mês e conta que o esporte o motivou a parar de fumar, por exigir uma corrida intensa. Além de tê-lo ajudado na recuperação após o tratamento de estenose espinhal (uma doença causada pelo estreitamento do canal espinhal que pode provocar dor e desconforto por pressionar as raízes nervosas). “Se eu não praticasse futebol, já teria morrido”, comentou.

Mutsuhiko Nomura, de 83 anos, é mais um dos jogadores da liga Over 80. Desde a sua época de estudante, já era conhecido nacionalmente por ser um jogador excepcional, entrando para a seleção japonesa em 1960. Em 1974, inclusive, já esteve no Brasil em um treinamento intensivo no clube do Palmeiras, treinando com o Émerson Leão que na época jogava na seleção brasileira.

Atualmente, Nomura é membro da SFL e continua correndo atrás da bola junto da sua filha Yuriko de 48 anos e da sua neta Mone de 13 anos. “Se possível, é claro que quero continuar jogando até os meus 100 (anos)”, disse ele.

Para Ito, a expansão das ligas nas duas últimas décadas é um sinal que encoraja a população idosa do Japão. O futebol oferece aos idosos mais do que apenas exercícios. É também uma oportunidade de socializar e fazer novos amigos de diferentes origens.

Ito comenta que o futebol “enriquece tanto a saúde quanto o emocional”. “Acredito que a sociedade, mesmo envelhecida, estará seguindo para uma boa direção com os idosos se dedicando em exercícios como esse”, completa.

(Com informações de Tom Bateman e Kim Kyung-Hoon da Reuters)

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