Histórias de ‘perrengues’ e desafios: Vania Takada Garcia é a típica mulher sonhadora, mas que fez por merecer méritos da vida

Vania Takada com o marido, Heverson Garcia e os filhos, Vinicius, Danilo e Maria Luiza – Arquivo Pessoal

Sair do Brasil, enfrentar o desconhecido, vencer medos e lutar por uma vida melhor. Todo imigrante que busca uma nova realidade no exterior encontra dilemas como esses. Mas, para Vania Takada Garcia, uma mulher de 49 anos, natural de Limeira (SP), tudo valeu a pena e as dúvidas foram transformadas em objetivos. 

Atualmente residente em Gifu-Ken, na cidade de Kakamigahara-shi, no Japão, ao lado de seu marido, Heverson Garcia, e seus filhos Vinicius, Danilo e Maria Luiza, ela traz uma verdadeira história de coragem e perseverança. Aos 17 anos, deixou sua terra natal para juntar dinheiro, retornar ao Brasil e cursar faculdade de letras. No entanto, seus planos mudaram ao longo do tempo. Ela se casou, completando este ano 27 anos de união, e tornou-se mãe de três filhos.

O mais velho deles, Vinicius, completará 24 anos em maio. Nasceu prematuro, com apenas 24 semanas de gestação, pesando 1010g e medindo 47cm. Seu nascimento foi marcado por complicações, mas Vania relembra com gratidão o apoio médico que recebeu em um momento tão crítico. Apesar das dificuldades, Vania e seu marido decidiram expandir a família. Após uma gravidez difícil que resultou em uma perda, ela engravidou novamente e deu à luz Danilo, que nasceu forte e saudável após uma gestação de risco que exigiu repouso total por nove meses.

Em 2006, Vania e sua família retornaram ao Brasil, onde nasceu Maria Luiza, hoje com 10 anos. Posteriormente, decidiram voltar ao Japão, onde Danilo e Maria Luiza foram matriculados diretamente em escolas e creches japonesas, apesar da falta de programas de adaptação para estrangeiros na época.

A trajetória profissional de Vania no Japão foi diversificada, incluindo trabalhos em fábricas, design gráfico, estética e até mesmo a abertura de sua própria empresa de brindes personalizados. Após uma cirurgia para a remoção do útero e cuidados com sua mãe doente, Vania encontrou sua vocação em auxiliar a comunidade de imigrantes, prestando serviços de interpretação e auxiliando em trâmites burocráticos e médicos.

Recentemente, sua rotina foi afetada pela pandemia de COVID-19, que a fez interromper temporariamente suas atividades de apoio à comunidade para se concentrar no trabalho em uma fábrica. Seu marido, um caminhoneiro, e seu filho mais velho, que trabalha em uma fábrica e como intérprete, também tiveram que se adaptar a novas realidades em meio à crise global.

“Quem chegou aqui na década 90 passou por tantos ‘perrengues’, que o pessoal que chega hoje em dia não pode nem reclamar. Enfrentávamos fila no orelhão para ligar para o Brasil, produtos brasileiros eram raríssimos, não tinha celular, YouTube… aprendíamos errando mesmo.  Hoje além do meu trabalho intenso em fábrica, no pequeno tempo que me sobra, faço trabalhos de intérprete para a comunidade. A vida no Japão é uma correria mas sou uma mulher muito feliz”, resume ela, orgulhosa de olhar para trás e ver o quanto a vida foi (e é) encantadora.

Vania Takada Sou feliz
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