Governo do Japão faz doação para o Centro de Chado Urasenke do Brasil

Sôichi Hayashi, representante do Centro de Chado Urasenke do Brasil, e o cônsul geral, Toru Shimizu, assinam o contrato de doação – Aldo Shiguti

Arte que reúne várias culturas do Japão e que vem sendo preservada e difundida no país pelo Centro de Chado Urasenke do Brasil, a cerimônia do chá (“chanoyu”, em japonês) vem se tornando uma experiência cada vez mais comum entre os brasileiros. E no dia 7 de março, a associação ganhou uma importante ajuda do governo japonês para continuar mantendo viva essa tradição com a realização da Cerimônia de Assinatura do Contrato de Doação entre o Consulado Geral do Japão em São Paulo e o Centro de Chado Urasenke do Brasil em prol do “Projeto para Renovação de Tatami no ‘Hakuei-an’ do Centro de Chado Urasenke do Brasil”, por meio do Programa de Assistência a Projetos Comunitários de Cultura.

O contrato foi firmado pelo representante do Centro de Chado Urasenke do Brasil, mestre Sôichi Hayashi, e o cônsul geral do Japão em São Paulo, Toru Shimizu.

Com a doação, no valor de US$ 15.669,00, será possível substituir os 31 tatamis do espaço “Hakuei-an” (sala de chá), localizado no quarto andar do Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Os antigos, explicou, Sôichi Hayashi, já estão bastante gastos. Conforme apurou o Nippon Já, será a primeira troca de material após quase 30 anos.

Segundo Sôichi Hayashi, no Japão a troca do material é feita anualmente. No Brasil, conta, o ideal seria promover a substituição a cada cinco anos, mas por causa do alto custo do material é iniviável. 

Para saber mais – Para quem quiser aprender um pouco mais sobre a Cerimônia do Chá, Sôichi Hayashi disse que atualmente está colaborando com a exposição ‘Nihoncha: introdução ao chá japonês’, em cartaz no 2º andar da Japan House SãoPaulo, que apresenta um panorama sobre a produção do chá japonês destacando amostras das variedades do chá, espírito do cha no yu, que reside no chadō, utensílios tradicionais e contemporâneos desenhados por designers nipônicos, além de uma casa de chá projetada por um renomado artista contemporâneo.

O evento, cujo intuito é aproximar o público brasileiro da tradicional arte japonesa, prossegue em cartaz até 7 de abril. Como forma de estender e aprofundar a experiência da mostra, a JHSP e o Centro de Chado Urasenke do Brasil oferecem, neste sábado (16) e no dia 6 de abril, em três horários – às 14, 15 e 16h  – encontros marcados para demonstrar o que acontece em uma cerimônia do chá e degustar a bebida e os tradicionais doces que a acompanham.

Cristalização – Ao jornal Nippon Já, Sôichi Hayashi comemorou o acordo. “Trata-se de um material muito caro e seria praticamente impossível para nós arcarmos com essa despesa”, disse Sôichi Hayashi, que agradeceu toda a equipe do Consulado Geraldo Japão em São Paulo. 

Já o cônsul geral do Japão em São Paulo explicou que o material será importado de Kumamoto, “região que é muito conhecida pela boa produção de tatami”. A previsão é que o transporte, via navio, demore cerca de quatro meses. “Esse tatami, produzido em Kumamoto e enviando ao Brasil, do outro lado do planeta, é uma história muito bonita e uma cristalização de amizade entre o Brasil e o Japão. Espero que todo processe tenha êxito para que ainda dentro desse ano possamos celebrar uma cerimônia de inauguração no ‘Hakuei-an’, no quarto andar do Bunkyo”, disse Toru Shimizu.

Também acompanharam a cerimônia a vice-representante do Centro de Chado Urasenke do Brasil, mestre Sôen Hayashi; a membro docente Sômi Ikeda; a vice-cônsul Akiko Kikuchi e a vice-cônsul do Departamento Cultural e de Imprensa, Miyabi Ichimura.

Sobre o Urasenke – O Centro de Chadô Urasenke do Brasil é uma associação cultural sem fins lucrativos, que representa oficialmente a sua sede matriz Urasenke Foundation (Sôkei – Kyoto/Japão) no Brasil e com quem mantém contato direto como filial, realizando as atividades juntamente com seus associados locais.

Em 1954, por ocasião do IV Centenário da Cidade de São Paulo, os imigrantes japoneses construíram o Pavilhão Japonês e doaram à Cidade. Em sua inauguração, foi apresentada a Cerimônia do Chá e, desde então, vem sendo difundido o Chanoyu. Em 1977 o Centro de Estudos Japoneses da USP recebeu a doação de uma Sala de Chá da Sede Matriz de Kyoto. Em 1978, foi construída a Sala de Chá “Hakuei-an” no prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, local dedicado à atividade de difusão.

Sôichi Hayashi e o cônsul geral (sentados), com participantes da cerimônia de assinatura do Contrato de Doação

(Aldo Shiguti)

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