Estátua da Madrinha Eunice, na Praça da Liberdade, ganhará pedestal

Encontro contou com a presença do vereador Nomura e representantes do samba paulistano

Inaugurada em 2022 na Praça da Liberdade, um dos principais cartões postais da capital paulista, a estátua da Madrinha Eunice, considerada uma das figuras pioneiras do Carnaval de São Paulo, deve ganhar um pedestal. Hoje, a figura que representa a ícone do samba paulistano foi montada no chão, como forma de deixá-la mais próxima das pessoas que visitam o bairro, um importante centro comercial e turístico de São Paulo. 

Com o pedestal, a ideia é dar mais visibilidade ao monumento, evitando também incidentes como o que ocorreu recentemente, quando da realização de um evento cultural no local e cujo palco foi instalado praticamente sobre a estátua, gerando indignações e protestos.

O anúncio foi feito no último dia 24, durante o ato chamado “Desagravo ao Monumento da Madrinha Eunice”, que contou com a presença do vereador Aurélio Nomura, dirigentes do samba paulistano – entre eles o presidente da Uesp (União das Escolas de Samba Paulistanas), Alexandre Magno, o Nenê, e o presidente da Fenasamba (Federação Nacional das Escolas de Samba), Kaxitu Ricardo Campos – representantes de agremiações – como o ator e presidente da Lavapés, Aílton Graça, o presidente da Brinco da Marquesa, Adriano Bejar, e a presidente da Imperial da Vila Penteado, Irene Maciel – e ativistas de movimentos negros, além da neta da Madrinha Eunice, Rose, e a vereadora Jussara Basso.

Junção – Para Aílton Graça, que viverá nas telonas a história do Trapalhão Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, no filme “Mussum, o filmis” – com estreia programada para 2 de novembro – “o nome já diz tudo: liberdade”. “A liberdade de expressão, a liberdade de poder também ritualizar e reverenciar os nossos baluartes, os nossos cardeais que criaram a história de São Paulo, que ajudaram a criar a história de São Paulo. E a Madrinha Eunice é uma dessas personalidades importantes de estar aqui na Liberdade, de fazer essa junção. Fazer essa junção entre a comunidade oriental que hoje ocupa aqui, com a comunidade negra, que está embaixo aqui. Eu acho que quem vai ganhar com isso é o povo brasileiro. A gente deve pensar no futuro para ajudar a criar um país melhor para todos, em harmonia”, disse Aílton, que na década de 1980 foi para o Japão com Macunaíma e chegou a ganhar uma espada samurai que guarda até hoje.

Para Rose, as pessoas “têm que respeitar quem chegou no bairro primeiro, mas também temos que respeitar quem está aqui”. Segundo ela, a ação de elevar a imagem de sua avó é necessária. “Eu acho que tem que acontecer porque vai ajudar a melhorar a estátua. Não só a estátua, mas o espaço para todos. Eu acho que vai ficar bom para todo mundo”, disse.

Para o vereador Aurélio Nomura, a ideia é colher sugestões para tentar melhorar a visualização. “O intuito é mostrar o nosso respeito à cultura afro-brasileira e aqueles que padeceram nesse solo, ajudando a construir a nossa cidade”.

Dignidade – “Como japoneses aprendemos algumas coisas com a nossa descendência, com os nossos pais e os nossos avós. Primeiro, respeito. Respeito é a coisa fundamental. A segunda coisa é dignidade. E a terceira coisa é sabedoria”.

Segundo ele, é preciso trabalhar o episódio para o futuro. “Infelizmente, eu peço desculpas, eu lamento, mas foi um erro na montagem do palco pela empresa terceirizada que não temos absolutamente nenhuma culpa com relação a isso. Mas nos sentimos responsáveis porque nós deveríamos estar aqui acompanhando essa montagem”, lamentou o vereador, acrescentando que, “temos que reparar essa questão”.

Aurélio Nomura conta que, ao verificar a montagem do monumento, “constatamos que ela foi montada no chão para que todos pudessem abraçar, ter um contato direto com a Madrinha”. “Infelizmente, nós esquecemos uma coisa, ela perde a visibilidade”, disse o parlamentar, explicando que “a estátua precisa ser elevada para que as pessoas que passam pelo local possam admirar o monumento da Madrinha e compreender a história a partir dela, da escola de samba, orgulho da nossa cidade, diga-se de passagem”.

Um dos corregedores que apreciou e votou a favor do parecer que culminou com a cassação do vereador Camilo Cristófaro (Avante) por fala racista, Aurélio Nomura disse que o próximo passo será “discutir qual a melhor fórmula para que a gente possa dar o caminho para a elevação da estátua e também para o seu resguardo”. 

“Hoje, a Praça da Liberdade é uma praça da paz, é uma praça de encontros de amigos, é uma praça de encontro de diversidade, de culturas. É por aqui que nós vamos começar e mudar a cara daquelas pessoas que ainda imaginam que estão lá atrás. É hora de nós resgatarmos a dignidade”, afirmou Nomura.

Quem foi – Nascida em Piracicaba (SP), em 1909, Madrinha Eunice é considerada uma das figuras pioneiras do Carnaval de São Paulo. Fundou a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva da Escola de Samba Lavapés Pirata Negro, em 1937, a escola de samba mais antiga de São Paulo ainda em atividade. Foi também ativista do movimento negro. Seu apelido deve-se ao fato de ter tido 41 afilhados.

Aurélio Nomura A praça hoje celebra a diversidade

(Aldo Shiguti)

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