24ª edição do Festival do Japão recebe cerca de 185 mil visitantes

Com 46 estandes, sendo 39 de kenjinkais, a praça de alimentação foi uma das áreas mais concorridas do Festival do Japão

Realizado de 07 a 09 deste mês no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (zona Sul de São Paulo) pela Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade que congrega as 47 associações de províncias japonesas (kenjinkais) representadas no país – em conjunto com a Secretaria de Cultura, Economia e IndústriaCriativas do Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo Federal, a 24ª edição do Festival do Japão recebeu um público estimado em cerca de 185 mil pessoas, de acordo com dados dos organizadores. No ano passado, 182 mil visitantes passaram pelo São Paulo Expo.

Embora “satisfeito” com o resultado, o presidente da Kenren, Toshio Ichikawa, disse à reportagem do Nippon Já que esse número poderia ter sido maior “não fossem problemas pontuais registrados com o transporte gratuito”, especialmente na sexta-feira (7), primeiro dia do evento. “A mudança [da estação Jabaquara do metrô para a estação Santos Imigrantes] foi bastante divulgada pelos meios de comunicação, mas assim mesmo muitas pessoas acabaram desistindo de ir”, explicou Ichikawa, lembrando que no domingo o tempo também não colaborou. No final das contas, calcula que aproximadamente 3 mil pessoas deixaram de conferir as novidades e atrações daquele que é considerado o maior festival de cultura japonesa fora do Japão.

Impulso – Para Ichikawa, o mais importante é que patrocinadores e público saíram satisfeitos. “Se eles [patrocinadores e público] ficam felizes, retornam no ano seguinte. E este é o nosso objetivo”, conta ele, que às vésperas da realização do festival estava apreensivo quanto o sucesso do evento. “Fizemos uma leitura equivocada, achando que as pessoas comprariam os ingressos com antecedência, como no ano passado, mas o que aconteceu foi uma reação de última hora”, destaca, acrescentando que não sabe se essa compra por “impulso” é uma tendência daqui para frente.

Caravanas – “Mas acredito que as ações implementadas pela Kenren nas redes sociais ajudaram a impulsionar as vendas”, afirma Ichikawa, lembrando que este ano o festival recebeu caravanas de lugares distantes da capital paulista. Na edição comemorativa dos 115 anos da Imigração Japonesa no Brasil, o evento recebeu mais de 40 caravanas e participantes de diversas regiões do país. Algumas compareceram pela primeira vez.

Sala 101 – “Temos que nos preparar para receber pessoas de localidades cada vez mais distantes porque o Festival do Japão é uma referência. Mas essa é uma preocupação que cabe não apenas à Diretoria da Kenren como também deve ser o foco de todos os kenjinkais”, comenta Ichikawa, que, nesta edição, inovou ao criar a “Sala 101” justamente com esse objetivo, ou seja, de “acolher” as caravanas que vieram de longe.

Mottainai – Além de homenagear a memória dos imigrantes, a edição deste ano, que teve como tema “Mottainai, desperdice menos, aproveite mais!”, exaltando um dos principais valores da cultura japonesa – que é o combate ao desperdício, o aproveitamento e a otimização de todos os recursos utilizados – trouxe ainda outras novidades para o público. A principal delas foi o Espaço das Províncias, com produtos, artes e pontos turísticos das regiões. Outras mudanças passaram despercebidas pelo público, como um maior espaço nos corredores com o intuito de proporcionar fluidez e mais conforto aos visitantes. Criado no ano passado, o espaço #FJTáOn, uma área criada e desenvolvida pelos jovens, para unir o Festival tradicional ao virtual, também ganhou mais atividades, como um espaço para colecionadores de cartas Pokémon.

O forte do Festival do Japão, no entanto, continua sendo a praça de alimentação, com a culinária e pratos típicos das províncias – este ano foram 39, além dos estandes de entidades assistenciais. Algumas receitas, inclusive, são passadas de geração em geração e não são encontradas nem mesmo em restaurantes.

Abertura – Outro ponto importante na edição deste ano foi a presença de autoridades na cerimônia de abertura. Tanto japonesas como brasileiras. No sábado, a abertura oficial contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; da secretária estadual de Cultura, Economia e Indústria Criativas de SP, Marília Marton; do secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab; da secretária municipal de Cultura, Aline Torres (representando o prefeito Ricardo Nunes); de nove oficiais generais – entre eles o de Exército, Guido Amin, e o de Brigada, Edson Hiroshi – do embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi; do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana e dos parlamentares nikkeis, deputado federal Kim Kataguiri, do deputado estadual Márcio Nakashima e dos vereadores Aurélio Nomura, George Hato e Rodrigo Hayashi Goulart, entre outros.

“Isso mostra que o Festival do Japão tem uma expressão dentro do Estado de São Paulo e mostra que a comunidade nikkei é muito significativa”, diz Toshio Ichikawa.

Importância que também foi enaltecida nos discursos. A secretária municipal de Cultura Aline Torres destacou que o Festival do Japão “mostra como a comunidade japonesa foi – e continua sendo – importante para conseguir fortalecer o que a cidade de São Paulo é hoje” enquanto o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Renato Ishikawa, explicou que o evento “é uma referência no país e também no exterior, principalmente no Japão, com participação das 47 entidades representativas dos kenjinkais no Brasil. Somos, aliás, o único país onde temos todas as províncias do Japão aqui representadas”.

Yuko Obuchi – Já o vereador Aurélio Nomura leu a mensagem da deputada japonesa e vice-presidente do Grupo Parlamentar Japão-Brasil, Yuko Obuchi, que esteve no Brasil entre o final do ano passado e início de 2023 na qualidade de Embaixadora em Missão Especial representante do governo japonês para acompanhar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela destacou que o Festival do Japão realizado em São Paulo é um dos principais eventos culturais japoneses do mundo, que atrai cerca de 200 mil visitantes e desempenha um papel “extremamente importante na promoção e intercâmbio cultural entre o Brasil e o Japão”. “Esse é o resultado dos esforços dos nossos precedentes e que respeitamos profundamente”, ressaltou.

Inclusão –O deputado estadual Márcio Nakashima destacou a “grandiosidade” do Festival do Japão, que “atrai milhares de pessoas e apoia iniciativas de inclusão social e educacional”, além de auxiliar as 47 associações de províncias no Brasil e as principais entidades beneficentes da comunidade nipo-brasileira”.

“O Festival do Japão é um sucesso ao longo de mais de duas décadas porque sua realização conta com o empenho de mais de 15 mil voluntários que se dedicam a receber com carinho e acolhimento e isso por si só já valida o espetáculo”, disse Nakashima, que agradeceu o governo do Estado de São Paulo por atender o seu pedido à emenda parlamentar para a realização do evento. “E já adianto que continuarei em busca de mais recursos para que possamos realizar cada vez mais esse evento”, disse o parlamentar, dirigindo-se ao governador Tarcísio de Freitas.

O deputado federal Kim Kataguiri falou sobre os avanços nas questões dos vistos – de turismo e para os yonseis (brasileiros da quarta geração de japoneses). “Agora a gente está trabalhando e temos a certeza que nós vamos conseguir avançar no acordo de livre comércio com o Japão. Os laços entre os nossos países estão cada vez mais fortes”, afirmou Kataguiri, lembrando que “tenho orgulho de dizer que sou voluntário do Festival do Japão há quase uma década”.

Desafios – Teiji Hayashi também parabenizou o trabalho dos voluntários e garantiu que, “como embaixador, estou trabalhando para a isenção de visto para os brasileiros que visitam o Japão em curta duração”. “Espero que mais brasileiros visitem o Japão num futuro próximo”. Enquanto isso, convidou o público para conhecer as atrações do Festival do Japão, que reúne vários pontos atrativos do país nipônico.

Presidente do 24º Festival do Japão, Alfredo Ohmachi lembrou incialmente que este papel caberia a Ritsutada Takara, que teve que se afastar da presidência por motivos pessoais, mas acompanhou todo o processo de organização.

Segundo ele, este ano foi particularmente difícil, especialmente na captação de recursos, “pois as empresas estão enfrentando inúmeras dificuldades”. “Foram meses de muito trabalho e desafio, mas o importante é que, com a união de todos, conseguimos realizar este grandioso Festival do Japão”, disse Ohmachi, que destacou a maior participação dos jovens e engajamento dos kenjinkais.

Spectroman – Recebido de forma calorosa pelo público do Festival do Japão, o governador Tarcísio de Freitas manifestou sua alegria ao participar pela primeira vez do evento. “Há 115 anos os japoneses estavam desembarcando no nosso litoral, estavam desembarcando em Santos para ganhar o Brasil. Se estabeleceram em São Paulo, no Paraná, no Pará, enfim, se estabeleceram em nosso país e sempre fizeram a diferença. Fizeram a diferença na cultura, fizeram a diferença no agro, trouxeram para cá a disciplina, trouxeram a tecnologia, e se incorporaram à nossa sociedade de uma maneira especial”, disse o governador, acrescentando que “a gente tem excelentes perspectivas de estreitar cada vez mais e de fortalecer esses laços”.

Lembrou a parceria com a Jica (Japan International Agency Cooperation) “no campo do agro, no campo da segurança pública, no campo da prevenção de desastres naturais e da defesa civil”. “E a gente sempre está prendendo com quem tem muito para nos ensinar. A gente fica muito feliz também com as presenças de empresas japonesas no Estado. Quantas pessoas não tem eletrodomésticos de empresas japonesas em suas residências e quantos jovens não cresceram assistindo desenhos japoneses?”, indagou o governador, que, bem-humorado, afirmou que não falaria os desenhos que assistia “porque denunciaria a idade”.

Mas lembrando uma conversa que tivera com o deputado Kim Kataguiri, disse que “ele não faz a menor ideia que assistia Piratas do Espaço e Spectreman . Não é do tempo dele”, brincou. E parabenizou a todos, organizadores e voluntários. “Contem sempre com o apoio do governo do Estado de São Paulo. Estamos muito felizes. Somos muito gratos e devemos muito a vocês”, finalizou Tarcísio de Freitas.

Ao Nippon Já, o governador disse que o Festival do Japão representa “uma grande oportunidade de congraçamento com a comunidade japonesa”. “É uma oportunidade de celebrar a vinda da comunidade japonesa para cá, celebrar a presença dos nossos irmãos japoneses, celebrar tudo o que eles têm feito pelo nosso Estado. Celebrar, agradecer e também desejar, obviamente, que os laços sejam cada vez mais fortes e que a gente possa caminhar cada vez mais juntos”.

Este ano a Kenren implementou a Sala 101 acolhimento

(Aldo Shiguti)

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