2024: um ano difícil e que exigirá a união e o aprofundamento dos laços comunitários

Prezados amigos da comunidade japonesa, estamos terminando mais um ano. Façamos juntos uma reflexão sobre o que passou e sobre o que virá em 2024. Adianto que o próximo ano será difícil e exigirá a união e o aprofundamento dos nossos laços comunitários.

Iniciamos o ano de 2023 com o terceiro governo Lula. Conforme previsto, houve uma radicalização no campo político. O ministro da Justiça, Flávio Dino, atacou empresas de tecnologia e deixou clara a sua intenção de censurar as redes sociais. Convocado a se explicar no Congresso, Dino mostrou-se autoritário e truculento.

Outro ministro, Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, avançou na agenda identitária, cuja finalidade última é dividir a população, criando animosidades que permitirão ao partido do governo se perpetuar no poder. Tal perpetuação, que se dará através do domínio de diferentes setores da sociedade civil, será marcada por uma progressiva impossibilidade de questionar os atos do governo. Toda oposição será tida por “racista” e “intolerante” e toda crítica será um “discurso de ódio”.

Não há, propriamente, uma oposição ao governo Lula. Hoje vige uma aliança entre PT, mídia e Judiciário e qualquer forma de oposição ao governo esbarra nesses três agentes. Recentemente, o STF julgou que um jornal pode ser responsabilizado por uma entrevista em que o entrevistado divulgue um fato tido como falso. Sabemos que, na visão do governo “falso” é o fato que contraria a sua narrativa. O recado é claro: é bom que os entrevistados pelos órgãos midiáticos sejam bonzinhos na sua avaliação do governo.

Outros recados foram dados, de maneira menos sutil: o presidente do STF afirmou que cabe ao Tribunal “empurrar a história” e entrar em uma “jornada iluminista”. Na prática, isto significa que cabe ao STF impor à sociedade o seu próprio posicionamento político. Em outro evento, feito por e para militantes da extrema-esquerda, o mesmo presidente disse que as pessoas têm que ser gratas ao STF, pois o Tribunal “venceu o bolsonarismo”.

Evidentemente, o bolsonarismo é algo lamentável e deve ser combatido, mas o combate deve se dar por agentes políticos. Um Tribunal – especialmente um Tribunal Constitucional – deveria zelar por uma imparcialidade.

No campo econômico, as políticas de austeridade fiscal – extremamente necessárias em um país que tem péssimo histórico de pagamentos, como o Brasil – foram vigorosamente combatidas por diversos setores do PT. O presidente da República chegou a dizer em público que não tem problema em se endividar para crescer, ignorando que, no médio prazo, o endividamento traz mais inflação, penalizando os mais pobres, além de não permitir um crescimento sustentável. Diariamente, membros da ala mais ideológica do PT pressionam o governo por mais gastos, às custas de um maior déficit.

Tivemos que fazer muito esforço para impedir que o Congresso Nacional aprovasse projetos de lei que impõem a censura nos meios de comunicação e redes sociais. O famigerado PL 2630/2020 é o mais famoso.

Em 2024, teremos eleições municipais. Haverá um grande confronto de forças políticas e o resultado das eleições municipais em São Paulo forjará, em grande medida, o cenário para 2026. As eleições de 2024 mostrarão a influência da máquina da prefeitura e do governo federal, o poder da retórica divisiva do PT e do PSOL e definirá o campo de oposição, mostrando se os bolsonaristas ou os antibolsonaristas têm protagonismo.

Em ano de eleição, o governo vai apertar o cerco político: teremos mais censura, mais acusações de “discurso de ódio”, mais intimidação de adversários políticos. Ao mesmo tempo, haverá pressão para aumentar os gastos, com o objetivo de privilegiar os candidatos do governo.

Diante de tal cenário, devemos nos unir em prol dos nossos valores – honestidade, austeridade, trabalho e legalidade – e mostrar que a comunidade nipônica é politicamente ativa, fiscaliza os seus representantes e não aceita retrocessos ou medidas autoritárias.

O governo e os representantes políticos nos devem satisfações. Não devemos temê-los.

Kim Kataguiri é deputado  federal por São Paulo

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